Jmail: ferramenta recria caixa de e-mails de Jeffrey Epstein e expõe bastidores de arquivos oficiais dos EUA
Plataforma organiza milhões de documentos liberados pelo Departamento de Justiça e permite buscas simples em mensagens reais associadas ao bilionário
A liberação de milhões de documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em janeiro de 2026, abriu uma nova fase no já conhecido caso Jeffrey Epstein. O volume de arquivos, que inclui e-mails, anexos e registros diversos, rapidamente se tornou um desafio até mesmo para jornalistas e pesquisadores experientes. Foi nesse cenário que surgiu o Jmail, uma ferramenta criada para transformar um acervo caótico em algo navegável e compreensível para o público em geral.
Disponível no domínio jmail.world, o Jmail simula com precisão a interface do Gmail e permite que qualquer pessoa explore a caixa de entrada atribuída a Epstein. A proposta não é sensacionalista nem clandestina. A plataforma funciona como um grande organizador de documentos públicos, reunindo materiais oficialmente divulgados pelo governo americano e pelo Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes.
O projeto foi desenvolvido pelos engenheiros Riley Walz e Luke Igel, que recorreram a inteligência artificial e tecnologia de reconhecimento óptico de caracteres para converter PDFs antigos, digitalizações borradas e documentos escaneados em texto totalmente pesquisável. Ao acessar o site, o usuário se depara com uma saudação direta e com a visualização da conta jeevacation@gmail.com, endereço real utilizado por Epstein segundo os registros oficiais.
A experiência de navegação foi pensada para ser intuitiva. No topo da tela, a barra de pesquisa permite digitar nomes de pessoas, empresas ou instituições e verificar se aparecem nas mensagens. Já o menu lateral, em vez de pastas tradicionais, exibe os contatos mais frequentes do bilionário, oferecendo uma visão clara de quem fazia parte de seu círculo de comunicações.
Além dos e-mails, o Jmail reúne outros módulos que ampliam a compreensão do material. O JPhotos concentra imagens presentes nos arquivos oficiais. O JDrive disponibiliza documentos e PDFs na íntegra. O JFlights reúne registros de voos do jato particular de Epstein, conhecido como Lolita Express, um dos elementos mais citados em investigações e reportagens ao longo dos anos.
Apesar de utilizar apenas dados públicos, o Jmail não é uma iniciativa governamental. Trata-se de um projeto independente, criado com o objetivo de facilitar o acesso à informação. Segundo seus desenvolvedores, a intenção foi transformar arquivos difíceis de ler em um ambiente que qualquer pessoa pudesse explorar com clareza.
Especialistas em direito e jornalismo de dados fazem um alerta importante. A simples presença de um nome em um e-mail, contato ou documento não representa, por si só, envolvimento em crimes. Em muitos casos, trata-se apenas de menções ou interações dentro da ampla rede social e empresarial mantida por Epstein ao longo dos anos. O contexto de cada registro continua sendo essencial para qualquer interpretação responsável.
Ao organizar um dos maiores acervos documentais já liberados sobre o caso, o Jmail se consolida como uma ferramenta que ajuda a separar informação de ruído e reforça o papel da tecnologia na transparência de dados públicos.